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Dilema XV - Nos Jogos PanAmericanos

- JADE! JADE! JADE!
- Marcos, por favor.
- O que foi?
- Só você que está gritando.
- Que isso, amor! Tá todo mundo da arquibancada gritando e vibrando também.
- É, mas eles estão no ginásio e você está em casa.
- E daí.
- E daí que você está me fazendo passar vergonha gritando desse jeito.
- Ah, larga disso, amorzinho. VAMOS, JADE!
- Marcos, daqui a pouco os vizinhos vão chamar a polícia.
- Ai, como você é exagerada.
- Exagerado é você gritando desse jeito.
- Amor!? Amorzinho!? É a Jade. É o Brasil-sil-sil!
- Ah, agora tem eco também?
- Você gostou?
- Que gostei coisa nenhuma.
- Amor, olha a Daniele.
- Não é a Daniele, acho que é a Dona Creuza que está vindo aí.
- Diz para a Dona Creuza para ela ir torcer na casa dela. VAI DANIELE!
- Marcos, fica quieto.
- Pô, Marilsinha, torce comigo.
- Torço, mas torço psicologicamente.
- Mas assim não tem graça.
- Não tem graça, mas eu não pareço louca.
- Mas eu sou louco pelo meu país.
- Marcos, não quero gritaria aqui em casa, entendeu?
- Mas Marilsa...
- Sem "mas", Marcos.
- Mas assim não dá.
- Se quiser gritar vai lá pro bar.
- Mas eu não comprei uma televisão de 42 polegadas para terminar no bar assistindo numa televisão de 14 polegadas.
- E eu não me mudei para cá para ficar falada como a "Casa da Gritaria". Não mesmo!
- Ah, Marilsa. Aposto que está todo mundo torcendo também.
- Não me interessa.
- Mas, Marilsa...
- Nada de "mas", Marcos. Já disse.
- Que droga, hein?
(Silêncio)
- Ai, meu Deus. Quem é esse?
- É o Mosiah, Marilsa.
- Ai, meu Deus. Eu adoro ele. MOSIAAAAAH! LINDOOOO! VAI MOSIAAAAH!
- Marilsa, e os vizinhos?
- Cala boca, Marcos. Eu estou na minha casa. Será que não posso nem mais torcer na minha própria casa? VAI MOSIAAAH! U-HUUUU! MOSIAH! MOSIAH! MOSIAH!
- ...

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Dilema XIV - A Revanche

- Eu bebu, eu bebu, eu bebu... Eu bebu cada gole!!
- Marcos da Silva, isso são horas de chegar?
- Xi, falou meu nome inteiro, lá vem bronca.
- Posso saber onde o senhor estava?
- Primeiro: o senhor está no céu. Segundo: não te interessa onde eu tava.
- Como assim, Marcos? Você chega duas horas da manhã, bêbado e eu não tenho direito de saber onde você estava?
- Não. Porque você me enche o saco.
- O quê?
- Eu estou cansado de você, cansado da sua implicância, estou farto!
- Marcos, não estou te reconhecendo.
- É porque eu resolvi mudar.
- Mudar? Você está bêbado.
- Não importa. Agora as coisas vão ser do meu jeito.
- Vai esperando.
- Primeiro: eu quero que você beije os meus pés.
- É um bêbado mesmo, nem nos seus sonhos, meu amor.
- Ah, é? Então eu vou espalhar pra todo mundo que você deixa a calcinha pendurada na torneira do banheiro.
- Marcos da Silva! Você não faria uma coisa dessas.
- Ah, faço. Uh, se faço. E ainda vou dizer que você deixa o sutiã pendurado na maçaneta da porta.
- Você não teria coragem.
- Ah, não? Então espere aí que eu estou voltando agora praquele bar e vou começar a gritar pra todo mundo que você enrola o absorvente no papel higiênico, joga na privada e não dá descarga.
- Marcos, espere!
- O que foi? Já mudou de idéia?
- Você não faria isso comigo que sou sua mulherzinha querida, faria?
- Faria.
- Oh! Você não me ama mais?
- Amo, mas você já está enchendo o meu saco. Espere aí que eu já volto.
- Não, Marcos. Tudo bem, eu beijo os seus pés.
(Beijo no pé)
- Agora você vai fazer aquilo que eu vivo pedindo pra você fazer e você nunca faz.
- Mas eu tenho nojo, Marcos.
- Tudo bem. Então eu vou ali contar pra todo mundo que você deixa a unha do pé encravar e...
- NÃO. Tudo bem. Eu faço.
(Coisa nojenta)
- Muito bom.
- (Quase chorando) E agora? O que mais você quer, querido? Pode pedir qualquer coisa que eu faço.
- Qualquer coisa?
- Sim...
- (Com um sorriso maléfico) Bom, então eu vou querer..
...
- Marcos!?
- Hum?
- Marcos!? Acorda...
- O quê? O quê?
- Você estava dando gargalhada e eu estou querendo dormir. Acorda antes que eu te mande pro sofá. Anda!
- Ah, só podia ser. Estava bom demais pra ser verdade.

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Dilemas XIII – No Fim do Dia (ELA)

- Marilsa?
- Sim.
- Aconteceu alguma coisa?
- (Meio triste) Não, não aconteceu nada.
(Silêncio)
- Amor?
- Hum?
- Nada mesmo?
- (Quase chorando) Não, não aconteceu nada, Marcos.
(Silêncio)
- Aconteceu alguma coisa, né?
- (Escorre a primeira lágrima) Não, Marcos.
- Tem certeza?
- (Meio grossa) Tenho!
- Bom, então já que não aconteceu nada eu vou dar um pulo ali na quadra e...
- O quê?
- Eu disse que vou dar um pulo...
- Não estou acreditando, Marcos.
- No quê?
- Eu aqui suuper pra baixo, abaladíssima e você vai sair?
- Mas você disse que não aconteceu nada.
- Como assim "não aconteceu nada", Marcos.
- Você quem disse?
- Será que eu preciso começar a me esgoelar de tanto chorar ou então começar a quebrar os pratos pra você ver que eu estou fazendo drama?
- E por que você não fala logo ao invés de fazer drama?
- Porque não, Marcos. (chorando) Você não liga mais pra mim!
- Mas, Marilsa, eu estava...
- Prefere o futebol do que eu.
- Marilsinha, meu bem. Eu...
- Não se interessa mais pelo que acontece comigo.
- Como não? Marilsa, eu...
- Você só pensa em jogar bola, nem tem tempo mais pra mim. Nem quando eu estou mal.
- Mas, amor, por que você não disse que aconteceu alguma coisa?
- Você é muito lerdo, Marcos.
- Ainda não tenho bola de cristal, meu amor.
- Grosso! (começa a chorar desesperadamente)
- Ah, me desculpe, meu amor. Não quis ser grosso. Por que você não senta aqui e me conta o que aconteceu?
- (Parando de chorar) Agora eu não quero mais. Pode ir pro seu futebol.
- Não, amor. Não vou mais jogar bola. Conta pra mim.
- Não, Marcos. Pode ir jogar bola. Não aconteceu nada.
- Marilsa, estou pedindo pra você me contar, amor.
- Não, Marcos. Nossa!
- Ó, você que está falando que não aconteceu nada.
- Já disse que não aconteceu nada.
- Me conta, vai?
- Não, Marcos, que saco. Vai logo pro seu futebol.
- Bom, então eu vou, hein?
- Vai logo.
- Não quer me contar mesmo?
- Não.
- Então já vou que estou atrasado. Tchau.
(Marcos abre a porta pra sair de casa)
- ESTÁ VENDO COMO VOCÊ NÃO LIGA MAIS PRA MIM? EU AQUI SOFRENDO E VOCÊ VAI JOGAR FUTEBOL... (Começa a chorar novamente)

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Dilemas XII – No Fim do Dia (ELE)

- Marcos, o que foi?
- Não, nada.
- Nada mesmo?
- Não.
- Você está tão abatido.
- Impressão sua.
- Será?
- É.
- Não acho.
- Mas é.
- Aconteceu alguma coisa, né?
- Não, Marilsa, não aconteceu nada.
- Então por que você está assim?
- Assim como?
- Assim... estranho...
- Impressão sua. Vou tomar um banho pra relaxar.
- Marcos, não fuja.
- Não estou fugindo. Só estou cansado e quero tomar banho.
- Aconteceu alguma coisa no trabalho?
- Não, Marilsa. Não aconteceu nada.
- E no caminho de casa?
- Também não.
- Aconteceu alguma coisa, eu tenho certeza, e você está me escondendo.
- Mas que cacete, estou dizendo que não aconteceu nada.
- Nossa, seu grosso, estou aqui preocupada em saber se aconteceu alguma coisa.
- Estou dizendo que não aconteceu nada.
- Então o problema só pode ser comigo. É isso?
- Não, Marilsa. Pelo amor de Deus, não aconteceu nada.
- Marcos, por que você não compartilha mais seus problemas comigo?
- Mas eu estou aqui dizendo que não aconteceu nada. Me deixa.
- Está vendo como aconteceu alguma coisa? Já perdeu a paciência.
- Claro, estou dizendo que não aconteceu nada, mas você parece que não entende.
- Não entendo mesmo, Marcos. Alias, não te entendo mais. Você não se abre mais comigo.
- Ah, mas o que você quer que eu diga? Que aconteceu alguma coisa?
- E aconteceu?
- Não.
- Então porque disse que aconteceu?
- Eu só... Ah, me deixa tomar banho.
- Volta aqui, Marcos. Agora você vai ter que falar o que aconteceu. Se começou, termina.
- Mas que caral..., estou dizendo que não aconteceu nada.
- (chorando) Tá vendo, tá vendo como alguma coisa aconteceu. Já está gritando comigo.
- Hunf... Oh, meu amor, só estou cansado, tentando te explicar que não aconteceu nada, mas você não me entende.
- Eu só me preocupo com você, Marcos, porque te amo.
- Oh, meu amor, eu também te amo. E não aconteceu nada mesmo, tá bom?
- Então por que você não disse desde o começo?

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Dilemas XI – Na Secretária Eletrônica

Na caixa postal do celular do Marcos
[18h05min]
- Amor, quando você chegar em casa não vai me encontrar porque vou estar na casa da Claudia, tá? Beijos, te amo!
[18h30min]
- Chegou mais cedo hoje ou não? Te amo.
[19h00min]
- Já chegou? Te amo.
[19h02min]
- Bom, agora você deve ter chegado. Do seu trabalho até em casa são só 5 minutos. Já são 19h02min e você sai às 18h55min, hein? Me liga. Te amo.
[19h04min]
- Marcos, você ainda não chegou ou não quer atender?
[19h06min]
- Ainda estou esperando você me ligar, viu?
[19h10min]
- Bom, não precisa mais me ligar também, tá?
[19h15min]
- Marcos, atende esse celular.
[19h17min]
- Onde você está, hein?
[19h18min]
- A Roberta está aí, né, Marcos? Atende a porra desse celular...
[19h20min]
- Marcos, só estou ligando pra dizer que se você não me ligar AGORA não precisa ligar mais.
[19h22min]
- Tudo bem, vai. Eu vou esperar mais um pouco.
[19h26min]
- Amor, onde você está?
[19h30min]
- Marcos... Marcos... Se você foi jogar bola sem me avisar.. Ai, ai, ai...
[19h36min]
- Não vai atender, né? Você quem sabe!
[19h40min]
- É a ultima vez que estou ligando, está entendendo? Onde você está?
[19h40min]
-Alias, COM QUEM você está? Se eu souber que está me traindo...
[19h45min]
- Marcos, é a décima oitava vez que eu estou ligando. Só pra te avisar que se demorar mais um pouquinho você vai aturar as conseqüências.
[19h48min]
- ... Que barulho foi esse?
[19h50min]
- ...
[19h52min]
- Marcos, depois você não reclama.
[19h58min]
- A Duda está chorando. Está sentindo sua falta. Você é muito ausente, já falei pra você.
[20h00min]
- Acho que estou passando mal, Marcos. Liga logo!
[20h05min]
- Já teria morrido se tivesse que esperar por você, né?
[20h08min]
- MARCOS, ATENDE A DROGA DESSE CELULAR!!
[20h12min] - Na secretaria eletrônica de casa.
- Querido, sua mãe ligou no meu celular e pediu pra te avisar que você esqueceu o celular na casa dela, ok? Te amo.

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Dilemas (Especial) – No PitStop 2006 COC

- Marcos, eu vou querer segurar a pistola.
- Lógico que não.
- Como assim "Não"?
- Deixa que eu cuido dessa parte. Entendo melhor de rosca.
- Quem? Você?
- Sim.
- Querido, vamos ser realistas. Já faz algum tempo que você não acerta o buraco.
- Como assim? Eu sempre encaixo direitinho.
- Não, querido. Ultimamente você anda ruim de mira.
- Você que não tem força para apertar a pistola como se deve.
- Está me chamando de fraca, Marcos?
- Não, amor, eu...
- Está sim. Praticamente disse que eu sou uma raquítica.
- Amor, eu só acho que você poderia fazer um pouco mais de exercício, ganhar mais massa muscular.
- Está me chamando de gorda?
- Não, amor, eu...
- Está pensando que é quem com essa barriga de chopp?
- Ai, meu Deus.
- Saiba você que quero mudar de parceiro. Vou segurar na pistola com o Diogo.
- Só que eu não vou deixar.
- E desde quando você deixa alguma coisa, Marcos?
- Então eu vou pegar na rosca da Roberta.
- Ah, eu sabia. Estava demorando.
- O quê?
- Você com a Roberta. Você pensa que me engana, mas só pensa, viu?
- Marilsinha, você está vendo coisas onde não...
- Eu sei que não, Marcos. Não me venha com seus argumentos que eu já sei de cor.
- Amor, olha, eu...
- Você está é feliz que eu vou pegar na pistola do Diogo. Porque assim você pode pegar na rosca da Roberta sem remorso.
- Amor, nada a ver.
- Só falta você me dizer que com ela você acerta a mira na primeira.
- Bom, ela facilita um pouco as coisas e ...
- Eu sabia!
- Não, amor! Olha...
- Você já passou dos limites, Marcos. Está me traindo com a Roberta?
- Ixi, vai começar.
- Se eu descobrir que você tá me traindo, Marcos.
- Ixi, pára vai!
- Agora você quer parar? Depois de ter iniciado essa confusão toda.
- Você quem começou com essa discussão.
- Está dizendo que a culpa é minha?
- Não é isso, é que...
- Nosso casamento praticamente em crise e você só sabe dizer que a culpa é minha?
- Você está exagerando.
- E eu que sou a exagerada ainda? Você que é implicante.
- Eu que sou implicante.
- Claro. Porque eu não sou, então só pode ser você.
- Ah, quer saber? Pega na pistola de quem você quiser. Cansei!
- Credo, Marcos, como você é violento! Isso é só uma competiçãozinha de PitStop. Você leva tudo muito a sério, meu amor. Eu, hein?

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Dilemas X - Nas Reeleições

- Marcos, em quem você vai votar?
- Marilsinha, o voto é secreto.
- Como assim, Marcos? Sou sua mulher.
- E por isso você acha que devo te contar em quem eu vou votar?
- Você não confia em mim, Marcos?
- Não, meu amor, é que...
- Marcos, você acha que eu não sou capaz de guardar segredo?
- Marilsa, presta atenção, eu...
- Marcos, eu estou chocada.
- Você está fazendo drama, Marilsa.
- Drama, Marcos? Você não confia mais em mim e eu que estou fazendo drama?
- Eu confio em você, amor.
- E então por que não me conta em quem vai votar?
- Porque não quero.
- E por que não quer me contar?
- Porque você vai achar que eu não sei votar, como sempre.
- Marcos, mas você não sabe votar mesmo.
- É por isso que não quero te contar. Porque você sempre acha que seu candidato é melhor.
- Marcos, está insinuando que eu não sei o que é melhor pro meu país?
- Não, Marilsa. Eu só disse que...
- Está sim, Marcos.
- Não, não estou. Eu só...
- Não, não fala mais nada. Até já posso adivinhar em quem você vai votar.
- Vai começar de novo.
- Eu não acredito, Marcos. Como você é inocente.
- Aí, está vendo?
- Mas, querido, eu já não te falei que ele não presta?
- Como não presta? E o tanto de coisa boa que ele fez pra nós?
- Pra nós quem , Marcos? Eu não fui beneficiada. Você deu a minha parte pra alguém?
- O quê?
- É, Marcos. Você disse “NÓS fomos beneficiados” e eu não recebi beneficio nenhum.
- Não estou te entendendo.
- Eu que não estou te entendendo, Marcos. Você está me traindo, é isso?
- Como?
- Você deu a minha parte desse tal beneficio pra outra?
- Amor, eu quis dizer que...
- Marcos, não tenta me esconder.
- Marilsa, presta atenção. Quando eu digo “nós” eu estou me referindo a todo mundo, ao país inteiro.
- Marcos, como você é inocente!
- Marilsa, eu gosto do meu candidato.
- Não, Marcos. Você não gosta. Você, querido, tem uma cabeça muito franca, é muito inocente e deixou ser manipulado pela mídia.
- Marilsa, eu...
- Amor, você está sendo manipulado pelos meios de comunicação. Eles conseguiram te convencer que o seu candidato é melhor
- Amor, olha, eu...
- Marcos, abra os olhos. É assim que eles conseguem votos. Enchendo mentes sem cultura como a sua com propagandinhas.
- ...
- Veja só o meu candidato. O tanto de coisa boa que você pode ver na TV que ele fez. Ele só fez caridade. No rádio eu só vejo coisa boa também. E ontem eu vi um outdoor dele abraçando uma criança que me deixou até arrepiada. E na Internet, então? Eles só falam bem dele. Eu ouvir dizer que…

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Dilemas IX - No Dia Das Crianças

- Marilsa, vamos levar aquele caminhão?
- Marcos, eu não sei se você se esqueceu, mas nós temos uma menina.
- E só por isso ela não pode gostar de caminhão?
- Marcos, meninas gostam de bonecas.
- Minha irmã gostava de caminhão, bolinha de gude...
- Não é à toa que hoje ela está amasiada com outra mulher, né, Marcos?
- E qual o problema? Foi uma opção dela.
- Eu não vou deixar que você influencie nossa filha com presentes de homem.
- Tudo bem, então escolhe um presente melhor.
- Que tal aquela boneca?
- Qual? Aquela de um metro e meio?
- É.
- Muito grande.
- Toda menina sonha com uma boneca daquela, Marcos.
- Acho que você é quem sonha com uma boneca daquelas.
- Claro que não. Só acho que Duda iria gostar.
- Acho que não. É muito alta. Vamos levar um PlayStation pra ela.
- Um PlayStation pra você, você quer dizer, né?
- Claro que não. É pra Dudinha.
- Marcos, aposto que se a gente levar um PS pra ela vai ser só você quem vai jogar.
- Lógico que não. Quando eu cansar eu deixo ela jogar um pouquinho.
- Aí, está vendo?
- Então, ta. Nada de PS.
- Que tal aquela moto da barbie?
- Moto, Marilsa? E você não queria influenciar a menina.
- Mas não tem nada a ver, Marcos. Além do mais é da Barbie.
- Mas não deixa de ser uma moto.
- E daí?
- E daí que moto é coisa de homem.
- Desde quando?
- Desde sempre.
- Como você é machista, Marcos. Não me admira você querer levar um caminhão para sua filha.
- Além do mais, ela nem gosta da Barbie.
- Como não? Ela adora!
- Ela gosta da Hello Kit.
- Você que gosta da Hello Kit, Marcos. A Duda gosta da Barbie.
- Eu não gosto da Hello Kit. Você é quem gosta da Barbie.
- Marcos, olha o meu tamanho pra gostar dessas coisas.
- E o que é que tem?
- Está insinuando que eu não tive infância?
- Não, amor, eu só...
- Está sim, Marcos. Não tente me enganar. Eu te conheço e sei muito bem quando você está querendo insinuar algo.
- Ai, meu Deus!
- E se quer saber, eu cansei. Vamos embora daqui. Deixa que quando a Duda tiver mais de três meses ela decide o que ela quer.

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Dilemas VIII - No Avião

- Marilsa, calma.
- Como assim "calma"?
- A aeromoça disse que voar é seguro.
- Depois daquele acidente da GOL, seguro pra mim são meus dois pés no chão.
- Marilsa, já a gente chega.
- Você já disse isso e não chegamos.
- Mas são só 40 minutos de vôo.
- Mas parecem uma eternidade.
- Aí, tá vendo? Eu sabia que não ia dar certo. Eu falei pra gente ir de ônibus.
- E ficar 7 horas viajando sentado, Marcos? Você pensa que minha bunda é o quê?
- Que bunda?
- Como assim "que bunda", Marcos? Está insinuando que eu não tenho bunda?
- Não, Marilsa, você tem bunda. Eu só quis dizer que...
- "Quis dizer" o quê, Marcos? Por acaso você não está contente com a minha bunda?
- Não, amor, sua bunda é maravilhosa. Está bom assim?
- Você tem sorte que eu estou passando mal de medo, mas a gente termina essa conversa quando descermos.
- O que foi? Está passando mal?
- Estou.
- E nem fala nada?
- Precisa falar? Está vendo como você é lerdo, Marcos. Haja paciência.
- Peraí que eu vou chamar a aeromoça.
- Ah, mas eu sabia.
- Sabia o quê?
- Você esperando uma oportunidade pra chamar a aeromoça.
- Marilsa, só vou chamá-la porque você está passando mal.
- E você vai tirar vantagem, né?
- O quê?
- É sim, Marcos. Pensa que eu não vi o sorriso que você deu pra ela quando a gente entrou?
- Marilsa, nada a ver!
- Nada a ver você querer chamar a aeromoça só porque eu estou passando um pouquinho mal.
- Só queria ajudar.
- Sei. No mínimo a bunda dela deve ser maior.
- Marilsa, claro que não.
- Claro que não? Então você olhou pra bunda dela?
- Não vou nem discutir com você sobre a bunda dos outros.
- Admita, Marcos!
- Ah, quer saber? Passa mal, então!
- Aí, já está estressadinho de novo.
- Claro. Você fica me enchendo a paciência.
- Você que anda sem paciência, Marcos.
- Eu? Sem paciência?
- É, Marcos. Sem contar que eu estou aqui passando mal e você nem pra chamar a aeromoça pra me ajudar...

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Dilemas VII - No Motel

- Marcos, eu não acredito que você me trouxe pra um lugar desses.
- Como assim, amor?
- A gente tem a nossa cama.
- A gente precisa variar de vez enquando, amor.
- Mas vai saber a qualidade do sabão em pó que eles usuram aqui. Aposto que não foi OMO Multi-Ação.
- Marilsa, não estraga o clima.
- Que clima, Marcos?
- Sinta a música...
- Só sinto cheiro de sexo aqui, Marcos.
- Então aproveita o cheiro e vem aqui pra cama. Vou rasgar toda essa sua roupa...
- Está louco, Marcos. Sabe o quanto eu paguei nessa blusa?
- Então vem que eu desabotoou no dente, vem?
- Que mané dente. Onde você anda aprendendo essas coisas, Marcos? Anda me traindo?
- Lógico que não, Marilsa.
- E de onde você tira essas coisas loucas de dente?
- É só minha criatividade, Marilsa.
- Você anda muito criativo pro meu gosto. Primeiro esse motel, e agora essa história de dente.
- Larga de bobagem, Marilsa.
- Marcos, se eu souber que você está me traindo, ...
- Vamos parar com essa conversa, Marilsa. Está quebrando o clima. Vem aqui pra banheira comigo, vem?
- Marcos, você enlouqueceu de vez?
- Posso saber qual o problema?
- Você sabe se a outra pessoa que entrou aí não tinha algum tipo de doença?
- Eles desinfetam, Marilsa.
- Quem garante que eles não só esvaziam?
- É regra do motel, amor.
- Você está muito conhecedor dos hábitos desse motel, Marcos.
- Marilsa, você está exagerando.
- Isso se chama higiene, meu amor.
- Então tá, nada de banheira. Vamos fazer na cama mesmo. Vem!
- Lógico que não.
- Como assim?
- Vai saber se eles trocaram esses lençóis ou se só deram uma arrumadela por cima.
- Marilsa, eles sempre trocam os lençóis.
- Como você sabe, Marcos?
- Ai, meu Deus.
- Eu falei que você está muito conhecedor desse motel. Com quem você veio aqui antes, Marcos?
- Com ninguém, Marilsa. É a primeira vez que venho nesse motel.
- Ahá! Então quer dizer que é sua primeira vez NESSE motel, mas não nos outros, né?
- Ah, cansei. Vamos embora!
- Como assim?
- Já perdi todo o tesão. Você já quebrou o clima.
- Marcos, se você está achando que eu vou embora sem fazer nada pra depois você trazer outra mulher pra cá, você está muito enganado. Vem aqui que vou tirar essa sua roupa com os dentes...
- ...

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Dilemas VI - No Zodíaco

- Amor?
- O que foi, Marilsa? Por que está chorando?
- Eu quero o divorcio, Marcos.
- Como assim?
- Eu já sabia que a gente não combina, mas agora eu tenho certeza.
- Perai, Marilsa. Não estou entendendo.
- Eu estava vendo os nossos signos, e a gente não tem nada a ver um com o outro.
- Tudo bem que você é um pouco complicada, Marilsinha, mas isso não quer dizer que a gente não se entenda no final.
- Não, Marcos. O que eu li pra mim foi o fim da picada.
- E o que dizia no horóscopo?
- Diz que você não tem sintonia comigo.
- Como não tenho sintonia?
- Diz que você tende a atrair mais problemas do que harmonia.
- Mas esse horóscopo está errado. Você é o "cabeça-dura" da relação, Marilsa.
- Como assim, Marcos? Eu não estou entendendo onde você está querendo chegar.
- Ah, Marilsinha, você é bem complicada, vê problema em tudo e coisas onde não existem.
- Está insinuando que eu invento as coisas, Marcos?
- Não, amor, só acho...
- Marcos, você está dizendo que eu não sei o que eu estou falando?
- Amor, presta atenção. Eu...
- Está vendo como os astros não mentem? Você só atrai problema!
- Hei, peraí, eu não atraio problema, não!
- Está querendo dizer que sou eu quem atrai, então?
- Ai, meu Deus, vai começar de novo.
- Vai começar de novo o quê, Marcos?
- Você com essas implicações.
- Marcos, isso não é implicação, são os astros...
- Que astro porra nenhuma.
- Está vendo já perdeu a paciência de novo.
- Mas quem disse que esses astros sabem alguma coisa?
- E quem disse que eles não sabem?
- Eu estou dizendo.
- Ah, desculpa, Sr SabeTudoSobreAstrologia.
- Só estou dizendo que isso aí está errado.
- Eu acho que está certo.
- Vou provar pra você que está errado, quer ver?
- Quero só ver...
- Qual o seu signo?
- Escorpião.
- Já viu alguém do signo de escorpião que fica fuçando pra ver coisas onde não existe como você?
- Perai, Marcos, você está querendo dizer que eu fico caçando coisa pra brigar com você?
- Não, amor. Só estou dizendo que você não tem nada a ver com o seu signo.
- Tudo bem, Mãe Diná. E que signo você acha que eu me pareço?
- Com Áries.
- Arianos são estressados, Marcos. Está insinuando que sou uma pessoa estressada?
- Não, amor. Estou dizendo que Libra é o Paraíso Astral de Áries, e por isso nós combinamos.
- Hum... Pensando por esse lado, você tem razão, amor!
- Falei que a gente combinava.
- Bom, mas avaliando assim, acho que você não se parece com Libra.
- Não? E me pareço com que?
- Parece-se com Peixes.
- Por que Peixe?
- Porque você é calmo até demais, Marcos.
- E daí?
- E daí que Peixes é o inferno astral de Áries.
- ...
- Marcos, eu quero o divorcio...

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Dilemas V - No BBB 7

- Acho que vou me inscrever no Big Brother Brasil 7.
- Vai fazer o que lá, Marilsa?
- Ora, Marcos, vou ficar famosa, ganhar um milhão de reais...
- Sem chance!
- Como assim?
- Marilsinha, você não tem chance, querida.
- Por que não?
- Eles vão te eliminar na primeira fase.
- Está insinuando que eu não sou uma pessoa interessante?
- Não, amor. Imagina. Longe de mim..
- Então por que você acha que eu não vou ser escolhida?
- Porque eles só pegam modelos, querida.
- Está dizendo que eu estou gorda?
- Não, Marilsa. Eu só disse...
- Está dizendo que eu estou acabada e que não sirvo nem pra ir pro BBB?
- Marilsa, presta atenção. Eu...
- Olha aqui, Marcos. Se você não sabe eu ainda desperto desejo nos homens.
- Ai, meu Deus. Vai começar de novo.
- Eu ainda me sinto desejada, Marcos.
- Tudo bem, amor. Eu só quis dizer...
- Não, Marcos. Não diga mais nada. Eu já entendi.
- Já entendeu o quê?
- Você não me ama mais...
- Claro que te amo, amor.
- Ama nada. Nem acha mais que eu estou gostosa.
- Ô, meu amor. Você está gostosa, tudo bem?
- Você só falou porque eu comentei.
- Não amor, eu estou dizendo a verdade.
- Você me acha gostosa, Marcos?
- Claro, amor.
- Mesmo?
- Mesmo.
- Não parece.
- Mas está.
- Tem certeza.
- Tenho!
- Está querendo me agradar.
- Ô, cacete. Mas se eu estou falando que você está...
- Aí, está vendo. Já perdeu a paciência de novo.
- Lógico. Você fica implicando.
- Só por isso eu vou preencher a ficha de inscrição e vou participar do BBB você querendo ou não.
- Tudo bem, faça o que você quiser.
- Pergunta 3: "Qual seu tipo de humor?"
- Tem a opção "Sem humor" aí, querida?
- Como assim, Marcos? Você está querendo dizer o quê?
- Que você não é muito engraçada, só isso.
- Você acha que eu não sei contar piada? Eu sei contar piada, Marcos. Alias, eu sei um monte, e muita gente já riu das minhas piadas, viu?
- Está bem, amor. Eu acredito.
- Você é que não tem senso de humor, por isso não vê graça nas minhas piadas.
- Aham...
- Hum... Pergunta 5: "Se é casado, como classifica seu casamento numa escala de 1 a 10". Acho que vou por uns 7.
- Por que só 7? Só se foi por culpa sua, né?
- Como assim culpa minha? Eu faço de um tudo por esse casamento. Você que não dá valor.
- Como assim não dou valor?
- É sim, Marcos. Você não repara em nada que eu faço. Nem gostosa você não me acha mais.
- Ah, põe 1 logo de uma vez.
- Está vendo como você estressa rápido. Você que seria eliminado na primeira face, meu amor.
- Com certeza.. Hunf!
- Pergunta 6: "Como o seu parceiro encara uma separação de 3 meses?"
- Um alívio.
- O quê?
- Eu quis dizer que assim a gente fica com saudades, né, amor?
- Saudades?
- Claro, querida. A gente fica o tempo todo junto, tem que sentir um pouco de saudade às vezes.
- Tudo bem, Marcos. Você ganhou. Eu não vou mais.
- Por que não?
- Porque só faltou você dizer que vai dar uma festa.
- Não, amor. Aí você está exagerando. Afinal, o bar fica tão perto...
- ...

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Dilemas IV - No Orkut

- Marcos, que negócio é esse de fazer orkut?
- Orkut? O que é isso?
- Não se faça de ignorante. Você sabe muito bem do que eu estou falando.
- Ah, claro, orkut!
- Você é um homem casado se por acaso se esqueceu.
- E desde quando orkut é só pra gente solteira, Marilsa?
- Marcos, não muda de assunto. Estou perguntando pra que você criou orkut.
- Pra poder fazer maiores amizades, conhecer pessoas, contatos profissionais.
- Pra que você quer contatos profissionais, Marcos? O papai já disse que seu emprego está garantido enquanto a gente for casado. E pra que você quer conhecer pessoas novas e fazer novas amizades? Você acha que os meus amigos não são bons o bastante pra você?
- Não disse isso, Marilsa. Só acho que eu preciso ter meus próprios amigos.
- Amigos homens, né, Marcos? E não a Fernandinha da academia, nem a Camila vizinha da mamãe.
- Que isso, amor! Não tem nada a ver. Elas são legais.
- Biscates, você quis dizer, né?
- Não fala assim, Marilsa. Elas só são simpáticas...
- E o recado que a Priscila do açougue deixou pra você? Também não tem nada a ver?
- Ah, ela já me adicionou? Eu tinha mandado um convite pra ela, mas ela tava demorando e...
- Então foi você quem adicionou ela? Bem que a dona Creusa me falou que você tava de olhares pra cima dela.
- Amor, você sabe que a dona Creusa não é flor que se cheire, né?
- Fala a sua senha AGORA, Marcos. Eu quero olhar o seu orkut.
- Pode entrar, não tem nada de mais aí.
- Bom, vamos olhar seus scraps.
- Não tem nenhum scrap pra você ler.
- Posso saber por que você apaga seus scraps?
- Pra manter a privacidade, amor.
- Sei. E você pensa que eu nasci ontem? Está querendo esconder o que de mim, hein?
- Nada, amor. Só não quero que os outros fiquem lendo meus scraps.
- Os outros ou eu, Marcos?
- Os outros, Marilsa. Larga de implicância, não tem nada de mais.
- Bom, vamos olhar suas comunidades.
- Amor, você sabe que comunidade é algo muito pessoal, né?
- O quê? "Eu tenho dinheiro escondido", "Minha mulher pensa que eu sou um anjo", "Minha secretaria é gostosa", "Reunião uma ova", "Minha sogra tá fazendo hora extra", "Eu conheço a Dani da mini-saia".
- Nossa, amor, alguém pegou minha senha!
- Ah, pegaram sua senha?
- É. Eu recebi um e-mail dizendo mesmo que estavam pegando a senha das pessoas no orkut.
- E você espera que eu acredite?
- Mas é verdade, amor. Se você olhar aqui na minha página principal você vai poder ver que... Peraí! Quem é essa aqui que entrou no meu orkut? "Marilsinha da Vila Tibério"?? Marilsa, você tem orkut??
- ...

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Dilemas III - No Fim do Mês

- Querida, cheguei.
- Oi, amor.
(Beijo)
- Nossa, como estou cansado!
- Peraí, me deixa pegar essa sua mala pesss-sada!!
- Ah, obrigada, amor!
- Por que não toma um banho enquanto eu sirvo o seu jantar.
- Boa idéia.
(Banho)
- Espero que você goste do jantar, fiz o que você mais gosta.
- Não acredito. Você fez?
- Fiz sim!
- Canelone???
- Isso mesmo!
- Nossa, querida, que gostoso! Já faz um tempão que estou pedindo para você fazer.
- Resolvi fazer hoje para você.
- Nossa, como está cheiroso.
- E também comprei um vinho para a gente também.
- Vinho? Estamos comemorando alguma coisa?
- Ué, estamos comemorando o nosso amor.
- O nosso amor? E o que mais?
- Mais nada, ué!
- Sei.
- Come, senão vai esfriar.
- Tem razão.
(Jantar)
- Aluguei um filme para a gente.
- Qual?
- Alien X Predador
- Jura? Estava louco para assistir esse filme.
- Eu sei, por isso peguei pra gente.
- Pra gente? Mas você nem gosta desse filme.
- Mas você gosta e é o que importa.
- Sei.
- Vem, senta aqui no sofá que eu vou pegar mais um pouco de vinho para gente.
- Traz uma cerveja, pode ser?
- Claro, já pego.
- Querida, traz uns amendoins também, pode ser?
- Claro, já estou levando.
- Querida, aconteceu alguma coisa?
- Claro que não, amor.
- Sei.
- Me deixa fazer uma massagem nos seus pés enquanto você assiste. Assim você pode relaxar um pouco mais.
- Massagem?
- É, massagem.
- Tá.
(Filme)
- Amor, vamos para cama?
- Vamos.
- A gente pode fazer aquela brincadeira que você sempre pede.
- Aquela brincadeira?
- É. O que você acha, meu garotão?
- Mas você já disse que não gosta.
- Ah, mas você gosta, amor. É o que importa.
- Hum... Marilsa, a fatura do cartão de crédito já chegou, né?
- ...

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Dilemas II - No Consultório Médico

- Eu gosto de Bruno.
- Bruno é um nome muito comum, Marilsa. Existem, no mínimo, quatro brunos em cada esquina.
- Ah, eu não acho.
- Eu gosto de José Vicente.
- Ah, não! Nada de José. Não quero meu filho sendo chamado de Zezinho. Prefiro Ricardo que dá Ricardão como apelido.
- Nada de Ricardo. Não quero meu filho sendo zoado por ter nome de amante. Que tal Caio?
- Claro que não. Você já viu algum doutor de medicina com o nome de Caio? Claro que não. Não pega bem. Prefiro Doutor Mário.
- Tá loca? "Que Mário? Aquele que te comeu atrás do armário". Meu filho vai ser muito macho. Merece nome de macho. Washington.
- Pra quê? Pra ele ter que ficar soletrando o nome dele a cada vez que a telefonista perguntar "Como se escreve, senhor."? Vai se chamar João.
- João, não. Esse nome é muito antigo, querida. Tão comum quando Bruno. Vamos colocar Junior, vai? É melhor e mais fácil.
- E quem disse que eu gosto do seu nome, Marcos? Esse negócio de Junior é do século passado.
- Olha quem fala. Queria colocar João.
- Melhor que Junior.
(Silêncio)
- Eu sempre quis fazer uma homenagem ao meu falecido avô. O que acha?
- Ah, acho legal, amor, essa tua atitude. Muito bonita. Qual o nome do seu falecido avô?
- Arquiteclínio.
- Cruzes!! Não quero um filho revoltado.
- Querida, era o nome do meu avô.
- Coitado dele. Imagina o nome dos pais.
- Querida!
- Desculpe, mas nada de homenagens, certo?
(Silêncio)
- Nosso filho precisa ter nome de jogador de futebol. Vamos colocar Ronaldo.
- E quem disse que ele vai ser jogador de futebol? Ele vai ser médico.
- Claro que não, ele vai gostar de futebol igual ao pai.
- Isso não significa que ele vá jogar futebol. Meu filho vai ser doutor.
- Esse filho também é meu.
- Mas eu estou carregando-o.
- Mas eu ajudei a fazer.
- Marcos, não discute comigo. Estou muito sensível e você sabe disso.
- Não use sua sensibilidade para tentar me ganhar.
- Não estou usando minha sensibilidade, só acho que o Hugo vai querer...
- Quem é Hugo?
- Nosso filho.
- Desde quando?
- Desde que eu achei que ele vai se chamar Hugo.
- Mas eu não quero Hugo.
- Então escolhe um nome melhor você.
- Antônio.
- Não, nada de Toninho. Vão começar a zoá-lo, chamá-lo de Tontinho, e eu não vou gostar.
- Tontinho? Você tem cada idéia.
- Agora eu que tenho idéia ruim? Não fui eu que queria colocar o nome do meu filho de Arquipélago.
- Arquiteclínio. Mais respeito, por favor.
- É tudo igual.
- Não é não.
- Ah, desculpe, Senhor Criatividade em Nome de Bebês.
- Eu não quis dizer que seus nomes são ruins; só disse que os meus são melhores.
- É... você deveria se chamar Humildade da Silva e não Marcos.
(Entra o médico)
- Parabéns, é uma menina.
- ...

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Dilemas I - De Noite, Na Cama

- Marcos, está acordado?
- Pode falar, Marilsa.
- É que eu queria te dizer que hoje foi um dia realmente muito especial.
- Que bom que gostou, querida. Fico muito feliz.
- Marcos.
- Sim!?
- Eu te amo.
- Também te amo, Marilsa.
(Silêncio)
- Amor.
- Hum!?
- Eu estava pensando que todos os dias poderiam ser assim, né?
- É, poderiam sim. Amanhã a gente fala sobre isso. Vamos dormir agora.
(Silêncio)
- Marcos.
- Que é?
- Grosso.
- Desculpe, meu amor. Não quis ser grosso com você. Só estou com sono e quero dormir, ok?
- Por que está com tanta pressa para dormir? Está querendo se ver livre de mim?
- Não, meu amor. Só estou querendo dormir. Estou com sono, tá?
- Só isso mesmo?
- Só, Marilsa.
- Então diz que me ama.
- Eu te amo.
(Silêncio)
- Marcos.
- Fala, cacete!
- Aí, está vendo? Você já está grosso comigo. É isso que eu falo para você todos os dias e você fala que não tem nada a ver.
- Eu não estou sendo grosso. Só estou querendo dormir e você não me deixa.
- Eu não te deixo dormir? Está vendo?
- Está vendo o quê, Marilsa?
- Você sempre põe a culpa em mim. Você nunca admite que esteja errado.
- Ah, meu Deus. Eu só estou querendo descansar depois de um dia longo.
- Então é assim que você vê o dia que se dedica a mim? Como um dia longo, chato e cansativo?
- Eu não disse isso. Só falei que...
- Disse sim!
- Então tá. Então eu disse.
- Está vendo? Agora você admite.
- Não estou admitindo. Só estou concordando com você para ficar em paz.
- E não é a mesma coisa? Acho que devemos discutir a nossa relação. Eu não te entendo mais, Marcos.
- Que “discutir relação” porra nenhuma. Eu quero dormir!
- Ah, está vendo? Eu faço de tudo por você. Mas você nunca me entende. Já alterou a voz e está até xingando (começa a chorar).
- Oh, amorzinho! Desculpe-me, tá? É que eu estou com tanto sono, que quero dormir e só.
- É que eu me preocupo em saber como você está em relação a nós.
- Ah, eu te amo, meu bem! Só estou um pouco cansado.
- Então por que não vira e dorme?