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Dilema XIV - A Revanche

- Eu bebu, eu bebu, eu bebu... Eu bebu cada gole!!
- Marcos da Silva, isso são horas de chegar?
- Xi, falou meu nome inteiro, lá vem bronca.
- Posso saber onde o senhor estava?
- Primeiro: o senhor está no céu. Segundo: não te interessa onde eu tava.
- Como assim, Marcos? Você chega duas horas da manhã, bêbado e eu não tenho direito de saber onde você estava?
- Não. Porque você me enche o saco.
- O quê?
- Eu estou cansado de você, cansado da sua implicância, estou farto!
- Marcos, não estou te reconhecendo.
- É porque eu resolvi mudar.
- Mudar? Você está bêbado.
- Não importa. Agora as coisas vão ser do meu jeito.
- Vai esperando.
- Primeiro: eu quero que você beije os meus pés.
- É um bêbado mesmo, nem nos seus sonhos, meu amor.
- Ah, é? Então eu vou espalhar pra todo mundo que você deixa a calcinha pendurada na torneira do banheiro.
- Marcos da Silva! Você não faria uma coisa dessas.
- Ah, faço. Uh, se faço. E ainda vou dizer que você deixa o sutiã pendurado na maçaneta da porta.
- Você não teria coragem.
- Ah, não? Então espere aí que eu estou voltando agora praquele bar e vou começar a gritar pra todo mundo que você enrola o absorvente no papel higiênico, joga na privada e não dá descarga.
- Marcos, espere!
- O que foi? Já mudou de idéia?
- Você não faria isso comigo que sou sua mulherzinha querida, faria?
- Faria.
- Oh! Você não me ama mais?
- Amo, mas você já está enchendo o meu saco. Espere aí que eu já volto.
- Não, Marcos. Tudo bem, eu beijo os seus pés.
(Beijo no pé)
- Agora você vai fazer aquilo que eu vivo pedindo pra você fazer e você nunca faz.
- Mas eu tenho nojo, Marcos.
- Tudo bem. Então eu vou ali contar pra todo mundo que você deixa a unha do pé encravar e...
- NÃO. Tudo bem. Eu faço.
(Coisa nojenta)
- Muito bom.
- (Quase chorando) E agora? O que mais você quer, querido? Pode pedir qualquer coisa que eu faço.
- Qualquer coisa?
- Sim...
- (Com um sorriso maléfico) Bom, então eu vou querer..
...
- Marcos!?
- Hum?
- Marcos!? Acorda...
- O quê? O quê?
- Você estava dando gargalhada e eu estou querendo dormir. Acorda antes que eu te mande pro sofá. Anda!
- Ah, só podia ser. Estava bom demais pra ser verdade.